Na última década, o Brasil viveu os maiores escândalos de corrupção da sua história. Claro que este é um problema crônico na política brasileira e não começou nos últimos anos, mas é fato que as discussões em torno do tema e os seus desdobramentos aumentaram muito com o “mensalão”, “petrolão”, “rachadinhas” e outros escândalos.
Neste mar de denúncias, operações e sentenças, vira e mexe aparece um político acusado de corrupção mostrando papeis e mais papeis que, no âmbito jurídico, os favorecem. Acontece que, para os políticos, o seu tribunal superior são as urnas, e não qualquer sala de fórum ou delegacias.
Para estes representantes públicos, o arquivamento de um processo na justiça não é mais relevante do que arquivá-lo na mente do eleitor. Aliás, muitos políticos já foram inocentados pela justiça e permanecem como “ladrões” para o povo, e o contrário também acontece.
Em paralelo, muitos nunca foram absolvidos pelos seus atos criminosos, mas já foram perdoados pelas urnas. O caso, desta semana, envolvendo o ex-governador, Marconi Perillo, é a prova real de que nenhum “supremo” é maior do que as urnas.
Perillo chamou a imprensa e mostrou papeis de arquivamento de vários processos que respondia na justiça. Isto não é uma grande novidade neste caso, pois em outras ocasiões ele já o havia feito. O problema é que, para a grande maioria dos cidadãos goianos, ele é culpado, não importa o que diga ou mostre.
Evidente que apresentar um papel assinado pelo doutor fulano, ou pelo órgão ciclano, é uma boa estratégia para limpar a barra e pode sim ajudar a convencer muitos. Mas não é o caso do ex-governador, que nas duas últimas eleições disputadas recebeu da população goiana, pelas urnas, um sonoro grito de “culpado”.